A Geração das Formas Pensamento

Enviado por Estante Virtual em sab, 12/17/2011 - 21:40

Estamos agora em condições de melhor compreensão das palavras do Mestre. O espírito, ao agir na região que lhe é própria, na matéria sutil do plano psíquico superior, gera imagens, formas-pensamentos(1). À imaginação tem-se chamado, com muitíssima propriedade, a faculdade criadora do espírito; e mal sabem aqueles que se servem desta aparente metáfora, quanto a expressão é literalmente verdadeira. Esta faculdade, de dar à luz imagens, é o poder característico do espírito; um vocábulo é apenas uma tentativa de representação parcial de uma imagem mental. Uma idéia, uma imagem mental, é sempre complicada; para a traduzir com propriedade, pode ser necessária uma frase completa; se nos servimos de uma só palavra para a representar, é porque tomamos apenas uma das suas particularidades mais flagrantes, e com esta exprimimos, embora muito imperfeitamente, o todo. Quando dizemos "triângulo", esta palavra evoca no espírito de quem a ouve uma imagem que, para ser perfeitamente expressa por meio de palavras, exigiria uma longa descrição.

É por meio de símbolos que o homem pensa e depois, a pouco e pouco, laboriosamente, resume com imperfeição os símbolos em palavras. Nas regiões onde o espírito fala ao espírito, a expressão é perfeita, e muito acima de tudo que possa ser expresso por palavras; mesmo na transmissão de pensamento de ordem pouco elevada, não transmitimos vocábulos, mas sim idéias. O orador traduz, o melhor que pode, por meio de palavras, um certo quadro das suas imagens mentais; essas palavras fazem nascer no espírito dos ouvintes imagens correspondentes àquelas que ele tem no seu. O espírito opera com quadros, com imagens e não com palavras; a metade das controvérsias e dos mal-entendidos provém do fato de a maior parte das vezes nós aplicarmos as mesmas palavras a imagens diferentes, ou representarmos as mesmas imagens servindo-nos de palavras diferentes.

A forma-pensamento é pois uma imagem mental criada — ou moldada — pelo espírito, com a matéria sutil do plano psíquico superior, onde, como vimos, ele funciona, Esta forma, constituída por átomos da matéria dessa região, animados de um movimento vibratório rápido, suscita em volta de si vibrações; estas farão nascer sensações de som e de cor em todas as entidades suscetíveis de as traduzir como tais; e como a forma-pensamento foge e sai ou — servindo-nos de uma expressão que talvez exprima melhor este movimento — mergulha mais fundo na matéria mais densa das regiões psíquicas inferiores, essas vibrações espalham-se em todas as direções sob a forma de cor com som, e atraem os elementais desta cor à formapensamento de onde provêm.

Todos os elementais, como todas as outras partes do Universo, pertencem a um ou a outro dos sete raios primários, dos sete primeiros Filhos da Luz. A luz branca procede do terceiro Logos — Espírito Divino — manifestando na forma de sete raios, os "Sete Espíritos que estão em frente do Trono"; cada um destes raios comporta sete sub-raios, e assim por diante, em subdivisões consecutivas. Há pois, no meio das diferenciações sem fim que compõem um universo, elementais que correspondem a estas diversas subdivisões, e para se entrar em comunicação com eles é mister o emprego de uma linguagem de cores baseada na "nuance" a que elas pertencem. É por isso que o conhecimento real do som, da cor e dos números — o número é a base do som e da cor — sempre se conservou tão secreto, visto poder a vontade servir-se destes para comunicar-se com os elementais, e ser esse conhecimento que nos dá o poder de os dominar.

O Mestre Koot-Toomi refere-se nitidamente à linguagem das cores, quando diz numa das suas cartas a Mr. Sinnett:

"Como poderia, pois fazer-se entender, fazer-se "obedecer" por essas Forças semi-inteligentes, que se comunicam conosco, não por meio de palavras articuladas, mas por meio de sons e cores, de cuja correlação de vibrações nasce uma linguagem? O som, a luz e a cor são os fatores principais dessas categorias de inteligências, desses seres de que o meu amigo não tem a mais pequena concepção, e em que nem sequer lhe é permitido crer, porque os ateus e cristãos, materialistas e espiritualistas, todos porfiam em criar argumentos contra tal crença, não falando na Ciência que é o pior inimigo de tão "degradante" superstição(2)."

Os investigadores que têm estudado o passado devem lembrar-se de alusões veladas feitas de vez em quando a uma linguagem de cores, por exemplo, no Egito antigo, em que se escreviam os manuscritos sagrados em cores e se puniam de morte os erros de cópia. Mas não quero enveredar por esse caminho tão afastado, embora tão atraente. Assentemos simplesmente neste fato: é por meio de cores que se comunica com os elementais, e as palavras coloridas são pata eles tão inteligíveis como as palavras faladas o são para os homens.

A nuança da cor sonora depende do motivo que inspira o autor da formapensamento. Se o motivo é puro, generoso, beneficente, a cor produzida atrairá para a forma-pensamento um elemental que se revestirá do caráter do motivo instigador e atuará no sentido designado. O elemental que penetra na forma-pensamento faz o papel de alma; daqui resulta a formação no mundo astral de uma entidade independente, de caráter benéfico. Se, pelo contrário, o motivo é baixo, vingativo, maléfico, a cor primitiva atrairá um elemental que, de uma forma análoga, se revestirá da característica imposta à forma e atuará segundo a linha assim traçada. Neste caso também o elemental entra na forma-pensamento, fazendo, aí, analogamente o papel de alma, e constitui no mundo astral uma entidade independente, de um caráter maléfico. Por exemplo, um pensamento de cólera emitirá um relâmpago vermelho, visto a forma de vibração da forma-pensamento da cólera ser tal que produz o vermelho; este relâmpago vermelho chama a si elementais que se projetam para quem os atrai, e um deles penetra a formapensamento e dá-lhe uma atividade independente, de um gênero destrutivo e desorganizador.

Sem dar por isso, os homens estão constantemente falando esta linguagem das cores e chamam assim à volta deles estes enxames de elementais que se estabelecem nas diversas formas-pensamentos disponíveis. É deste modo que o homem povoa a sua corrente no espaço com um mundo seu, cheio dos produtos da sua imaginação, dos seus desejos, dos seus impulsos e das suas paixões. De todos os lados, anjos e demônios criados por nós mesmos acodem em massa, rodeiamnos, agentes do bem ou do mal, para o próximo como para nós, constituindo um verdadeiro exército kâmico.

Os clarividentes têm a faculdade de perceber, na aura que envolve cada pessoa, certas cores, cujo brilho varia constantemente; cada pensamento, cada sentimento traduz-se assim no mundo astral e torna-se perceptível para a vista astral. Aqueles que obtiveram um desenvolvimento maior do que os clarividentes vulgares podem ver também as formas-pensamentos e os efeitos produzidos por relâmpagos coloridos entre as hordas de elementais.

 


Notas do capítulo:

  1. Vide A Vida Depois da Morte — capítulo adicional por Annie Besant, Livraria Clássica Editora, Lisboa.
  2. O Mundo Oculto, edição portuguesa, pág. 190 – edição da Livraria Clássica Lisboa