Significação do nome Teosofia

Enviado por Estante Virtual em dom, 12/02/2012 - 03:22

Pergunta: Acontece freqüentemente considerar-se a Teosofia e suas doutrinas como uma nova religião. É uma religião?

Teósofo: Não, não é. A Teosofia é a Ciência ou Sabedoria divina.

 

P: Qual o verdadeiro significado do termo?

T: "Saber Divino", Theosophia é Sabedoria dos deuses, como Theogonia, genealogia dos deuses. A palavra Theoa, em grego significa um deus, um dos seres divinos, e de modo nenhum "Deus", no sentido que atualmente damos a esse termo.

Não é, portanto, a "Sabedoria de Deus", segundo traduzem alguns, mas sim Sabedoria Divina, a possuída pelos deuses. O vocábulo tem milhares de anos de existência.

 

P: Qual a origem deste nome?

T: Ele nos foi transmitido pelos filósofos alexandrinos chamados de amantes da verdade, Filaleteos, palavra composta de phil "amante" e de aletheia "verdade". O nome Teosofia data do terceiro século de nossa era, e os primeiros que o empregaram foram Amônio Sakas e seus discípulos[1]  que fundaram o Sistema Teosófico Eclético.

 

P: Qual era o objetivo desse sistema?

T: Inculcar, antes de tudo, certas grandes verdades morais nos discípulos e em todos aqueles que eram "amantes da verdade". Daí vem a divisa adotada pela Sociedade Teosófica: "Não há religião superior à verdade"[2] .

O principal objetivo a que se propunham os fundadores da Escola Eclética Teosófica era um dos três objetivos de sua sucessora moderna, a Sociedade Teosófica, ou seja, o de reconciliar sob um sistema de ética comum baseado em verdades eternas, todas as religiões, seitas e nações.

 

P: Como podem demonstrar que isto não é um sonho impossível, e que todas as religiões do mundo estão baseadas em uma mesma e única verdade?

T: Seu estudo e análise comparados o demonstram. "A Religião da Sabedoria" era una na antigüidade, e isto fica provado pela identidade da filosofia religiosa primitiva, e pelas idênticas doutrinas ensinadas aos iniciados durante os Mistérios, instituição universalmente difundida em outros tempos: "Todos os cultos antigos demonstram a existência de uma só Teosofia anterior a eles. A chave que explicará um deles há de explicar todos; de outro modo não poderia ser a verdadeira" (A. Wilder, obra citada).



[1] Também chamados analogistas. Segundo o professor Alexandre Wilder, M.S.T., em seu Neoplatonismo e Alquimia, eles eram chamados deste modo devido ao seu método para interpretar todas as lendas sagradas e narrações, bem como os mitos e mistérios, por meio de uma regra ou princípio de analogia e correspondência; de maneira que acontecimentos referidos como tendo se passado no mundo externo, eram considerados como expressando operações e experiências da alma humana. Eram também designados de neoplatônicos.

Ainda que se atribua geralmente a Teosofia — ou Sistema Eclético Teosófico — ao terceiro século, dando crédito a Diógenes Laércio, sua origem é muito mais antiga, uma vez que atribuía o sistema a um sacerdote egípcio, Pot-Amun, que viveu nos primeiros tempos da dinastia ptolemaica. O mesmo autor nos diz que o nome é Copto, e significa "o que está consagrado a Amun, Deus da Sabedoria". A Teosofia é o equivalente de Brahm-Vidya, o conhecimento divino.

[2] A Teosofia Eclética compreendia três partes: 1ª — A crença é uma Divindade absoluta, incompreensível e suprema, ou essência infinita, que é a raiz da natureza inteira e de tudo quanto existe, visível e invisível. 2ª — A crença é a natureza eterna, imortal do homem, porque sendo este uma radiação da alma universal, é de natureza idêntica a ela. 3ª — A Teurgia, ou "obra divina", ou o ato de produzir uma obra dos deuses; de Theoi, "deuses", e ergein, "fazer alguma coisa".

O termo é muito antigo, mas não era de uso popular, apenas fazia parte do vocabulário dos Mistérios. Era crença mística de que purificando-se a si mesmo, tanto quanto aos seres incorpóreos, isto é, voltando a adquirir a própria pureza original da natureza, o homem podia conseguir que os deuses lhe comunicassem mistérios divinos e até conseguir fazê-los visíveis em certas ocasiões, seja subjetiva ou objetivamente. Isto era praticamente provado pelos adeptos iniciados e sacerdotes. Era o aspecto transcendental do que agora se chama Espiritismo; mas tendo sido este profanado e mal interpretado pela massa, chegou a ser considerado por alguns como magia negra, e foi proibido. Ainda se conserva uma paródia da teurgia de Jâmblico na magia cerimonial de alguns cabalistas modernos. A Teosofia atual evita e reprova esses tipos de magia e "necromancia", por serem por demais perigosos. A teurgia verdadeira, divina, requer uma pureza e santidade de vida, quase sobre-humanas, pois de outra forma podem degenerar em mediunismo ou magia negra. Os discípulos próximos de Amônio Sakas, os chamados Theodidaktos ("ensinados por Deus"), como Plotino e seu discípulo Porfírio, reprovaram a teurgia no início, mas posteriormente reconciliaram-se com ela, graças a Jâmblico que escreveu uma obra com esse objetivo, intitulada De Misteriis, sob o nome de seu próprio mestre, um famoso sacerdote egípcio chamado Abammon. Amônio Sakas nasceu de pais cristãos; desgostoso do Cristianismo dogmático espiritual desde sua infância, converteu-se em neoplatônico, e, como a J. Boehme e outros videntes e místicos célebres, atribui-se que a sabedoria divina lhe foi revelada em sonhos e visões. Este foi o motivo pelo qual se lhe chamou Theodidakto. Decidiu reconciliar todos os sistemas religiosos e, demonstrando sua identidade de origem, estabelecer um credo universal baseado na ética. Tão pura era sua vida, tão profundo e vasto seu saber, que vários padres da Igreja eram seus discípulos secretos. Clemente de Alexandria fala muito alto a seu favor. Plotino, o "São João" de Amônio, também era um homem universalmente respeitado e estimado, com uma instrução e integridade enormes. Aos 39 anos de idade, acompanhou o imperador romano Gordiano e seu exército, ao Oriente, a fim de ser instruído pelos sábios da Bactriana e da índia. Teve uma Escola de Filosofia em Roma. Seu discípulo Porfírio, cujo verdadeiro nome era Malek (judeu, helenizado), reuniu todos os escritos de seu mestre. Porfírio também foi um grande autor e deu uma interpretação alegórica a alguns fragmentos dos escritos de Homero. O sistema de meditação empregado pelos filaleteianos conduzia ao êxtase; sistema parecido à prática da yoga, na índia. O que se sabe sobre a Escola Eclética, deve-se a Orígenes, Longino e Plotino, discípulos de Amônio. (Veja: Neoplatonismo e Alquimia, de A. Wilder.)

 

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